Erasmo de Roterdão (1466-1536) foi um teólogo e escritor holandês, o maior vulto do Humanismo cristão, dedicou toda sua vida à causa da reforma interna da Igreja Católica. Seu sonho era uma Europa espiritual unida, com uma língua comum aproximando todas as pessoas. Foi aclamado “Príncipe do Humanismo”. Dilva Frasão, eBiografia.com

Elogio da Loucura, escrito em 1508(?):

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«[Dizem os sábios:]»

Haverá coisa mais estranha do que adular servilmente o povo, para obter as suas graças, do que comprar os seus favores com prodigalidades, do que procurar com tanto ardor o aplauso de tantos loucos, de se entusiasmar com tantas manifestações tumultuosas, de se deixar erguer como uma estátua, no meio da praça, para ser olhado pela populaça? Esses nomes, esses sobrenomes, todas essas honras divinas dadas a pessoas que nem mesmo merecem o nome de homens, todas essas apoteoses públicas em favor dos tiranos mais odiosos, todas essas coisas, dizem os filósofos, não serão outras tantas loucuras ridículas, de que nunca seria demais troçar?» Mas, meus senhores, quem vos diz o contrário? No entanto, é em nome destas grandes loucuras que poetas e oradores se elevaram até aos céus. É esta loucura que constrói as cidades, é esta loucura que mantém os impérios, as leis, a religião, os conselhos, os tribunais; numa palavra, é esta loucura que é a base e o fundamento da vida humana, e governa o universo como muito bem lhe apraz. 

Erasmo de Roterdão, em ‘O elogio da loucura’, escrito em 1508

(Tradução portuguesa, anos 40, do francês. O texto original foi escrito pelo autor em latim.)